quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Carta para minha amiga.

Querida Aline

Só queria lhe mandar um bilhetinho para agradecer ao convite para a sua festa semana passada. Não sou muito boa em festas. Mas acho que você já sabe disso agora. Me sinto estranha perto das pessoas, e tento compensar agindo de forma que as pessoas que ainda não me conhecem me acham estranhíssima. Por outro lado, você me conhece bem e, além disso, você é uma pessoa muito sensível e, por que não dizer, muito bondosa e tolerante.

Acho que o que estou tentando dizer é que sinto muito, mas muito mesmo pelo que aconteceu. Talvez tenha sido bom, quem sabe. Talvez essa seja uma coisa da qual daqui a um tempo vamos lembrar e rir. Tudo bem, talvez seja um pouco mais do que daqui a um tempo. Quem sabe, talvez, depois de algumas décadas, há chance de ainda rirmos. Não há? Ai, meu Deus! Estou tão chateada.

Sei que somos amigas o suficiente pra que eu dê um telefonema para você, mas achei que uma carta seria preferível por dois motivos. Primeiro, é mais fácil dizer coisa numa carta do que pessoalmente. E segundo, parece que você não atende mais aos meus telefonemas.

Algumas vezes ninguém atende ao telefone – mesmo que eu deixe tocar mais de 500 vezes (eu já contei). Outras vezes, alguém que parece ser você, (mas eu tenho certeza que não é) atende e pergunta quem é. Quando eu digo “Hua”, essa pessoa (que como eu disse antes, tenho certeza de que não é você, pois você é uma pessoa que tem muita compaixão) imediatamente passa a falar com um sotaque russo, obviamente falso, e diz: ”Ela não em casa. Ela mudar parra lugar longe sem telefone. Por favor, deixe ela em paz,”

Dito isto, deixe-me apresentar meu pedido de desculpas.

Acho que muito do que aconteceu devido ao bolo de rum que eu levei para a sua casa. Dei uma olhada rápida na receita, e agora vejo que ela pedia duas colheres de sopa de rum. Por alguma razão que eu desconheço – talvez por eu estar nervosa, pois cozinhar nunca foi o meu forte – eu li “duas garrafas” de rum. Foi realmente um erro, mas seus sobrinhos pequenos iam ter mesmo que descobrir o que era uma ressaca.

Eu comi pelo menos duas fatias do bolo de rum, e acho que foi por isso que saí gritando para todo mundo ouvir que seu nome verdadeiro é Overlaine. Achei que todo mundo já soubesse. Achei também que todo mundo ia achar o seu apelido “Free Willy” engraçado. Agora sei que não é nada engraçado. De qualquer forma, isso não deveria te incomodar mais, pois você não é mais gorda. Ah sim, sinto muito também por ter contado para todo mundo sobre a sua lipoaspiração. Mas pelo menos eu não contei a ninguém sobre a sua cirurgia para aumentar os peitos. Ah, é mesmo, eu contei. Foi mal.

Em relação ao que eu chamo de “O Incidente da Mímica”, por alguma razão, fico um pouco competitiva (tudo bem, muito competitiva) quando participo de jogos de salão – mais uma vez, para compensar minhas próprias inseguranças. Foi por isso que, quando o Pastor Green não conseguia adivinhar que eu estava fazendo “Tomates Verdes Fritos” e insistia em dizer “Dois cavalos para a Irmã Sara” (que você há de convir, não chega nem perto – não tem nem o mesmo numero de palavras) me irritei.

Isso de forma nenhuma desculpa o fato de eu chamá-lo de pastorzinho filho de uma @#$+,!%@#!&* débil mental comedor de #$%&@. E também quando – de brincadeira – dei a entender que ele molestava crianças, eu não tinha idéia do processo a que ele responde.

Agora, o presente. Eu estava com a impressão errada de que a festa era pra comemorar o seu chá de panela – gente, me esqueci que você já está casada há dois anos, vocês parecem dois pombinhos! Foi por isso que levei um presente que eu considerava uma brincadeirinha. Eu não sabia que a festa era pra comemorar os 90 anos da sua avó. Se eu soubesse, jamais teria levado aquela calcinha sem os fundilhos e cupom para um piercing gratuito no mamilo.

Eu admito que exagerei na risada quando sua avó abriu o presente (desculpe pelo vinho que saiu do meu nariz e foi parar no seu carpete novo – aquela mancha deve sair com uma pedra e gelo e não com coca-cola como eu tentei naquela noite), mas achei que ela estava rindo também. Agora sei que ela estava com hiperventilação. Eu juro nunca tinha visto a cara de alguém tão vermelha assim. Foi por isso que eu gritei: “Olha só a velha! Hahaha! Parece um tomate gigante!”

Não foi engraçado.

Fico muito feliz de saber que sua avó saiu do hospital. Fui eu que mandei aquela cesta cheia de biscoitos amanteigados. Ninguém me avisou que ela era diabética. Ela só comeu alguns, e quando liguei para o hospital, me disseram que os médicos mandariam ela ficar no máximo 3 ou 4 dias na UTI.

Essa é a parte mais difícil de explicar. Sei que quando você abriu a porta do seu quarto, parecia que eu estava raspando o pêlo do seu cachorro. Olha, eu estava raspando o pêlo do seu cachorro, mas não pelo motivo que você está pensando. Eu não falei: “Humm, acho que esse cachorrinho da Overlai...da Aline ia ficar melhor com menos pêlo”. Apesar de que, você tem que admitir que o corte fez o Chaplin ficar bem diferente dos outros cachorros (não importa o que os juízes do concurso do “O cachorro do ano” tenham dito ao desclassifica-lo).

O que aconteceu foi que ao tentar cuspir meu chiclete de um lado para o outro da cozinha para acertar a lixeira (um truque que, modéstia à parte, faço muito bem), errei o alvo e caiu no pêlo do Chaplin. Eu tentei arrancar, mas a emenda ficou pior que o soneto. Por isso maloquei ele dentro da lixeira e levei-o para o seu quarto na esperança de encontrar uma tesoura para que pudesse tirar aquele chiclete dali. Mas só encontrei sua gilete de raspar as pernas e pensei: “Pôxa, de repente vai funcionar.” E na verdade funcionou, o chiclete saiu. Peço desculpas por terem ficado alguns pedaços grudados na sua cortina. Pensei que era um guardanapo grande de papel.

Você tem todo o direito de perguntar por que eu estava vestindo um biquíni seu enquanto tosava seu cachorro. Boa pergunta. Enquanto eu procurava a tesoura, achei o biquíni na terceira gaveta do seu armário (eu não abri a segunda gaveta, não precisa ficar envergonhada). Eu tinha visto aquele biquíni numa vitrine naquele dia e achei que ia ficar lindo em mim. Achei que seria uma boa oportunidade para experimentá-lo.

Acredito que você pode perceber agora que havia uma explicação lógica para tudo o que aconteceu na sua festa, que fora isso, foi muito bem-sucedida.

Espero que você encontre no seu coração generosidade para me perdoar, e que nós sejamos tão boas amigas quanto sempre fomos até o fim de semana passado.

Com amor, Huaíne.

Ps: Ah, sim, quase me esqueci. Eu sinto muito também por ter mordido seu marido, quer dizer, seu ex-marido, na bunda. Foi mal.

5 comentários:

Unknown disse...

HAUIShaUIShaUIShaUIshaUIHSIUAHSUAHUS


é o que dá o titulo ao blog: Crágico, porém tômico!

-q

jhou disse...

:OOOOO NUSSA!! eu nao perdoava MUAHAHAHAHAHAHA. na boa raxei :D

Psicoo disse...

Muito bom, muito bom mesmo!
:D

Psicoo

Risos e Chá . disse...

hahaha
MUITO bom.


(para limpar mancha de vinho tinto do tapete, use vinho branco ou loção para barbear. A espuma é um ótimo removedor de manchas. Fikdik.)

Aruanan disse...

H(elle)uai(n)e:
óooootimo. Vou dormir, to velho e já são II:30...