Engraçado, mesmo eu tendo quase 20 anos de experiência com soldadinhos, quartéis e roupas camufladas, não consigo me chamar de “expert” quando o assunto é milico.
Esses dias fui ao dentista, cujo consultório fica dentro do quartel. Vou ao dentista pelo FUSEX (fundo de saúde do exército, acho). O Tenente Roberto, que é muito legal, pois não preciso chamá-lo de Doutor, basta “Tenente” e ele já fica contente, nunca sabe que tipo de regra seguir: se é a que diz que dentistas sempre atrasam ou a que militares nunca atrasam. Acho que é por isso que ele sempre atrasa uns 15 minutinhos, pra ficar no meio termo.
Bom, voltando a minha historia. Estava eu no dentista, tudo certo, contei várias das minhas piadas prediletas, levei vários tapinhas nas costas, que não sei se é porque estavam gostando, ou se era pra eu parar de contar piadas. Até que terminamos e tive que sair.
Nunca vou ao quartel em horário de expediente normal, meu dentista é sempre antes. Porém, como ele sempre atrasa, terminamos às 8h00.
Oito horas é quando oficialmente começa o experiente no exército. Todos os dias a mesma coisa. Então por que será que eles tem que celebrar TODA vez? Por que dessas cornetinhas todo dia? A gente já não ouviu isso a semana passada inteira?
Sempre me sinto mal, porque parece que esses caras são “acionados” pelo som da corneta. O que é muito estranho. Na verdade eu acho que eles estão brincando de estátua todas as manhãs. “Estou aqui me mexendo e (...)” TÃNÃNÃNÃÃÃÃ “(...) opa, todo mundo parado em posição de sentido”. “ Vamos lá pessoal, ele tocou a corneta.”
O grande problema é que eu não sou militar. Não sei o que se deve fazer quando tocam aquela coisa. Todo mundo pára e só eu fico me movendo. Algo está errado. Sou eu ou paramos no tempo? Até que param de tocar e tudo volta ao normal. “Ufa achei que tínhamos parado mesmo no tempo.”
Esse lance de milico é mesmo pura palhaçada. Hoje de manhã estava pegando uma carona com o meu pai, pra vir trabalhar, até que toca o telefone dele e.. “Alô? John?” (meu pai chama todo mundo de John ao telefone). “O que? Hoje é para ir à paisana? Beleza, valeu hein cara.” E saiu correndo para pôr uma roupa normal.
Não entendo. Se eles podem de vez em quando ir para o quartel com roupas normais, porque vão todo dia com aquela coisa camuflada? Do que eles estão se camuflando? Não moramos numa floresta.
Quando eu tinha cinco anos, meu irmão, que na época era seis anos mais velho que eu (e por coincidência, ainda é), foi para o “Soldado por um dia”, onde eles colocam as crianças em campos de guerra, para batalhar com seus outros amiguinhos por um pão com margarina. Não sei se era bem assim, não era permitido meninas. Mas imagino que era isso, porque meu irmão odiou. Ele foi todo orgulhoso, vestido com uma mini fardinha verde igual à do meu pai, porque eles desde cedo ensinam os filhos a se vestir de planta.
Outra coisa sem sentido é a vila militar. Aquelas casinhas, todas iguais, da mesma cor, com pessoas iguais. A única vantagem é que se você vai visitar alguém, sabe exatamente onde fica o banheiro.
Desde que eu moro na vila militar, sempre tem algum soldado passando em frente à minha casa. Não sei se ainda é o mesmo ou se eles revezam. Mas pra quê? Nunca aconteceu nada e provavelmente nunca vai acontecer. Quem é o idiota que vai assaltar uma vila militar? Tem tanta casa normal por aí.
Muito insano.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
A vida militar.
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